QUESTÃO 8
Leia o texto a seguir e responda, em português, às perguntas.
René Descartes, one of the most influential philosophers in the modern era, laid down an important conceptual foundation
for artificial intelligence. He posited that human beings are composed of two distinct substances, arguing that physical bodies
can be examined objectively, whereas thoughts and mental states can only be known through introspection. This idea is often
summarized as “I think, therefore I am”. He further argued that since thinking is essential to an individual’s existence, it must
necessarily be possible for a being to think without possessing a physical body. This led him to believe in the possibility of
creating a thinking machine that could operate much like a human being.
For Descartes, the key in determining whether something was capable of thinking was language processing. He believed that
a machine could demonstrate evidence of true intelligence if it possessed the capacity to not only hold concepts and grasp
thoughts through language, but also do so independently like we humans do.
(Adaptado de https://www.thecollector.com/philosophy-of-artificial-intelligence-descartes-turing/. Acesso em 22/08/2024.)
a) Quais são, de acordo com Descartes, os dois elementos que compõem os seres humanos? Explique qual deles é indispensável
para a existência de um indivíduo e relacione sua explicação à célebre frase de Descartes.
b) De acordo com o texto, qual é o fator indissociável do pensamento? Explique, com base na visão do filósofo, como esse fator
está relacionado às condições para a existência de inteligência em máquinas, e qual o requisito para a inteligência artificial
se aproximar da inteligência humana.
Objetivo da Questão
A elaboração da Q8 partiu do desejo da banca de abordar um tema atual, que estivesse em circulação nos espaços de diálogo
dos candidatos, e relacioná-lo a conceitos e conhecimentos já consolidados. A ideia, com isso, era problematizar a noção rasa
de que a disciplina de filosofia se limita a tratar de assuntos situados no passado. Esse raciocínio, portanto, motivou a banca
elaboradora a explorar as aproximações entre a teorizações de Descartes e suas implicações para o nosso entendimento de
inteligência artificial atualmente.
O principal foco da questão, nos dois itens, era avaliar a competência leitora dos candidatos. Não há, nesse sentido, um viés
conteudista na proposta. Boa parte do item a, por exemplo, pode ser respondida por meio de uma leitura atenta, que cobrava conhecimentos sistêmicos em inglês. Segundo o texto, os elementos que compõem os seres humanos são o corpo físico
(“physical bodies”) e os pensamentos ou estados mentais (“thoughts and mental states”). A resposta para “qual elemento
indispensável para a existência do ser humano?” estava em um trecho de nível médio/alto de dificuldade, devido às relações de
causa e consequência — e algumas palavras específicas — ali presentes (“He further argued that since thinking is essential to an
individual’s existence, it must be necessarily possible for a being to think without possessing a physical body”).
Após isso, o candidato deveria relacionar essa lógica com a célebre frase de Descartes. Isso exigiria, então, um aprofundamento
nas reflexões iniciadas a partir da leitura do texto, o que permitiria à banca corretora avaliar a mobilização de conhecimentos
em Filosofia.
No item b, a capacidade de argumentação do candidato era, mais uma vez, colocada em foco, já que era preciso não apenas
identificar qual elemento é indissociável do pensamento (a linguagem), mas explicar como essa relação ocorre, na visão de
Descartes. Logo, segundo o texto, a linguagem é fundamental pois é apenas através de seu processamento, compreensão e
seu uso crítico — de maneira independente, como os humanos fazem — que uma máquina pode ser considerada inteligente.
Os aspectos da disciplina de inglês contemplados na questão foram:
— desenvolver respostas escritas que relacionem conhecimentos de diferentes áreas a partir de textos variados em língua
inglesa, em uma perspectiva interdisciplinar;
— mobilizar conhecimentos prévios (linguísticos, textuais, discursivos e de mundo) no ato da leitura de um texto;
— utilizar o contexto e pistas textuais para inferir significados aproximados – mas pertinentes – a palavras e expressões desconhecidas.
Quanto à disciplina de Filosofia, foram cobrados os seguintes itens:
• Fundamentos da ética e formação de sujeitos éticos;
• Princípio racional;
• Fundamentos da política e formação de sujeitos políticos.
Resposta Esperada
a) De acordo com o texto, os seres humanos são compostos por dois elementos distintos: corpos físicos e estados mentais
ou pensamentos. Para Descartes, o elemento essencial para a existência humana é o pensamento. Logo, uma vez que o
pensamento é fundamental para os seres humanos, conclui-se que, para existir, basta pensar, conforme indica a frase do
filósofo (“Penso, logo existo”).
b) Para Descartes, o fator que determina se algo é capaz de pensar é a linguagem. Segundo o filósofo, a linguagem é crucial
para que se prove a existência de inteligência em máquinas, ou seja, isso só será possível se uma máquina for capaz de
apreender conceitos e expressar pensamentos através da linguagem e fazê-lo de forma autônoma e independente, como
nós, humanos, fazemos.
Desempenho dos candidatos
Na visão da banca elaboradora, o nível da dificuldade da questão era “médio”, o que se confirmou pelas estatísticas da Comvest
(0.500). O revisor de inglês considerou a proposta “fácil”, diferentemente do revisor de filosofia, que a avaliou como “difícil”. As
notas dos candidatos foram bem distribuídas, como ilustra o gráfico. Destaca-se a baixa incidência de notas máximas (4), o que
pode ser explicado, possivelmente, pela quantidade de informações que a questão exigia. Quanto ao índice de discriminação,
a questão foi avaliada como “boa” (0.419), ratificando o desempenho positivo das questões de inglês no VU nos últimos anos.
Comentários Gerais
A banca corretora observou que os elementos de maior acerto no item a foram aqueles que remetiam à composição dos seres
humanos (“corpos físicos” e “estados mentais”). Isso era esperado, já que esses itens podem ser localizados claramente no
texto. Em contrapartida, a parte da pergunta que cobrava a problematização da célebre frase de Descartes foi a mais desafiadora, o que também não foi surpreendente, pois a resposta exigia que o candidato acionasse conhecimentos em Filosofia sem
distanciar-se do texto. Foram poucas as respostas que apresentaram, de maneira clara, a relação de interdependência entre os
atos de pensar e de existir. Colocado de outra forma: a mera tradução da frase do filósofo (“I think, therefore I am”) era insuficiente para demonstrar que o candidato compreende as relações entre tais ações; uma resposta completa, portanto, deveria
sinalizar que há uma condição entre “pensar” e “existir”.
No item b, houve mais elementos desafiadores. Segundo os corretores, os candidatos tiveram dificuldade em compreender o
trecho que apresentava as condições para a comprovação da inteligência das máquinas (“a machine could demonstrate evidence of true intelligence if it possessed the capacity to not only hold concepts and grasp thoughts through language, but also do so
independently like we humans do”). Isso ficou claro em respostas que simplificavam ou deturpavam a ideia de “reter conceitos”,
através de verbos inadequados para o contexto, como “memorizar” ou “armazenar”. Ora, “guardar” conceitos — e verbos
similares — são ações que as máquinas sempre fizeram; o diferencial, então, seria a existência de um movimento ativo com esses
conceitos e conhecimentos. Houve, também, muitas respostas rasas e, consequentemente, incompatíveis com o que se vê no
texto; por exemplo: afirmar que a máquina só será inteligente se criar conceitos é uma projeção que não tem sustentação no
texto. Foram, portanto, inúmeras as construções que atribuíram verbos/ações e sentidos às máquinas diferentemente do que
pode ser entendido no texto. Nesse sentido, a questão permitiu que a banca diferenciasse os candidatos que se apoiavam, em
suas respostas, em noções do senso-comum, daqueles que se apropriavam das reflexões do texto para expressar seus conhecimentos, para além da tradução literal.
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