Houve já ampla divulgação da novidade das hipóteses desta obra, que defende que a Terra se move e o Sol se encontra imóvel no centro do universo. Não tenho dúvidas de que certos sábios se sentiram profundamente ofendidos e pensaram que não é conveniente ir contra as disciplinas liberais firmemente estabelecidas há muito tempo. É claro que, se quisessem examinar a questão corretamente, descobririam que o autor desta obra não cometeu nada digno de repreensão. Com efeito, é próprio do astrônomo examinar a história dos movimentos celestes através de uma diligente e conscienciosa observação e em seguida conceber ou imaginar causas e hipóteses para esses movimentos. Uma vez que jamais alcançará as verdadeiras, deve adotar causas e hipóteses que permitam calcular corretamente esses movimentos com base nos princípios da geometria, tanto no futuro como no passado. Essas duas tarefas foram cumpridas brilhantemente pelo autor. Portanto, não é necessário que essas hipóteses sejam verdadeiras, nem sequer verossímeis, mas apenas que forneçam um cálculo de acordo com as observações, a menos que sejamos tão ignorantes nos campos da óptica e da geometria a ponto de tomar como verossímil o epiciclo de Vênus e acreditar que essa seja a causa pela qual Vênus por vezes preceda e às vezes suceda o Sol. Visto que às vezes são formuladas diferentes hipóteses para o mesmo movimento (tais como a excentricidade e o epiciclo dos movimentos do Sol), o astrônomo adotará a que for mais fácil de compreender. O filósofo talvez exija a verossimilhança, ainda que nenhum dos dois chegue a compreender ou exprimir nada verdadeiro, a menos que seja por efeito da revelação divina. Permitamos, pois, que essas novas hipóteses sejam consideradas em meio às antigas, não mais verossímeis que as novas, até mesmo porque são admiráveis e fáceis e trazem consigo um imenso tesouro de mui sábias observações. E que ninguém, no que se refere a hipóteses, espere da astronomia nada de certo, já que não é isso que pretende. 

(MARCONDES, Danilo. Textos básicos de filosofia e história das ciências: a revolução científica. Rio de Janeiro: Zahar, 2016. p. 31-32).

Na atividade abaixo, escreva apenas dois parágrafos (de no mínimo quatro linhas cada um deles), para explicar e responder as seguintes questões:

1) Explique o que se entende por “quebra de paradigma científico” e como a teoria copernicana pode ser caracterizada como um exemplo desse fenômeno. A respeito da ideia de quebra de paradigma, consulte o livro da disciplina (especialmente o Capítulo 3).

2) Analise a seguinte afirmação de Osiander: “Portanto, não é necessário que essas hipóteses sejam verdadeiras, nem sequer verossímeis, mas apenas que forneçam um cálculo de acordo com as observações“. Considerando o contexto da época, por que Osiander teria feito essa ressalva? Qual é a relação entre essa afirmação e a resistência enfrentada por novas teorias científicas que desafiam paradigmas estabelecidos?

 

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