“Na década de setenta, no auge do fenômeno soul, […] críticos começaram a argumentar que o mito nacionalista de um Brasil racial e culturalmente harmonioso ofuscava uma realidade subjacente que era muito mais semelhante ao estilo do racismo dos Estados Unidos do que a maioria dos brasileiros gostaria de admitir. Desde então, muitos acadêmicos têm argumentado que a natureza enganadora do racismo brasileiro talvez tenha sido ainda mais perniciosa do que o racismo no estilo americano, pois neutralizou possibilidades de “consciência racial” e política racial ao estilo do Movimento por Direitos Civis nos Estados Unidos, e até hoje dificulta a realização de programas de ação afirmativa nos moldes daquele país. Para muitos estudiosos engajados na crítica ao racismo brasileiro, o Black Rio, com suas referências raciais ao estilo norte-americano, foi um tônico para o mal-estar racial no Brasil. As identidades negras contestatórias que emergiram dos bailes soul representaram um breve momento de consciência racial — uma consciência longamente prejudicada por mitos da democracia racial e fracos movimentos raciais no Brasil.”
Questão 3
Considere o excerto abaixo:
Fonte: A LBERTO, P. L. Quando o Rio era black: Soul music no Brasil dos anos 70. História: Questões & Debates, Curitiba, volume 63, n.2, jul./dez. 2015, Editora UFPR, p. 46.
Sobre a importância da Soul music no Brasil e do movimento Black Rio, é correto afirmarmos que:
