O filo Arthropoda compreende aproximadamente 83% da diversidade animal conhecida, apresentando um plano corporal centrado no processo de artropodização. Essa condição evolutiva é definida pela secreção de uma cutícula quitinosa trilaminar pela epiderme, que atua como um exoesqueleto rígido e articulado. Embora essa estrutura tenha viabilizado a colonização de nichos terrestres ao prover suporte mecânico e reduzir a perda hídrica por evaporação, ela estabeleceu restrições biomecânicas severas. A rigidez cuticular impediu o crescimento volumétrico contínuo e inviabilizou a utilização do celoma como esqueleto hidrostático para a locomoção, exigindo uma reestruturação dos sistemas circulatório, excretor e de crescimento. O controle dessas adaptações, especialmente as flutuações de biomassa, depende de uma regulação endócrina rigorosa e da substituição periódica do revestimento externo.

Fontes:

BRUSCA, R. C.; MOORE, W.; SHUSTER, S. M. Invertebrados. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018;

GIRIBET, G.; EDGECOMBE, G. D. A filogenia e a história evolutiva dos artrópodes. Current Biology, v. 29, n. 12, p. R592-R602, 2019.

 

Figura 1 – Processo de ecdise em artrópodes

Fonte: SILVA, J. C. Zoologia de Invertebrados e Parasitologia. Maringá: Unicesumar, 2024.

Considerando os princípios de biologia comparada e a fisiologia dos Ecdysozoa, responda:

  1. a) Analise a dualidade funcional do exoesqueleto de quitina como vantagem adaptativa para a transição ao meio terrestre e como limitador fisiológico. Em sua análise, relacione a rigidez dessa estrutura com a redução do celoma e a evolução de um sistema circulatório aberto do tipo hemocele.
  2. b) Explique o mecanismo fisiológico da ecdise, identificando o hormônio regulador e detalhando as etapas que permitem a expansão do volume corporal do animal antes da esclerotização da nova cutícula.

 

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