O pacote anunciado pelo governo federal mostra a força das mobilizações e responde a um dos quatro eixos prioritários defendidos pela Coiab durante sua participação na COP30: a Demarcação e a Proteção dos Povos Indígenas Isolados. Para o coordenador-geral da Coiab, Toya Manchineri, “A demarcação é uma das nossas pautas prioritárias, e deve ser prioridade para todos, pois é uma das principais medidas de mitigação e adaptação climática. A homologação é a efetivação dessa proteção territorial e trabalharemos para que outras TIs na Amazônia Brasileira sejam reconhecidas.”

Angela Kaxuyana, representante da Coiab na Bacia Amazônica, e uma das lideranças na luta pela demarcação da TI Kaxuyana Tunayana, afirmou: “Nós, povos indígenas, nunca tivemos dúvida da importância e a potência que temos enquanto movimento, principalmente para pautar as nossas prioridades dentro da COP e a demarcação e homologação é o principal delas. O anúncio da homologação e demarcação de várias terras indígenas representa uma resposta à grande mobilização, o grande e constante movimento que realizamos para a defesa dos nossos direitos e por trás de cada demarcação, cada homologação tem uma história que carrega a violação do direito dos povos indígenas. Uma conquista para o meu povo e para todos os povos indígenas do Brasil.”

Para Aurélio Vianna, coordenador sênior de programas da Tenure Facility no Brasil, os resultados alcançados evidenciam como o apoio direto é essência para fortalecer o protagonismo indígena.

“Foi com enorme satisfação que assistimos os recentes anúncios do governo brasileiro, no âmbito da COP30 da homologação da TI Kaxuayna Tunayana e da aprovação do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da TI Riozinho do Iaco. Nesses dois casos, como em outros, a atuação do MPI e da Funai, assim como de outros parceiros da cooperação e filantropia internacionais, colaboraram muito para esses avanços. Mas, o apoio direto à Coiab, ao Podáali e às organizações indígenas locais contribuiu para o protagonismo dos indígenas nas ações demarcatórias, mesmo nas mais técnicas como as de demarcação física, permitindo que o movimento indígena incidisse, colaborasse e orientasse as necessárias ações, para fazer valer seus direitos territoriais”, declarou.

Disponível em: https://coiab.org.br/o-protagonismo-indigena-e-a-importancia-do-financiamento-direto-para-avancos-em-processos-demarcatorios/ (acesso em 28 de Abril de 2026).

TEXTO DE APOIO 2

Funai defende presença indígena nos espaços de poder em participação no 1º Encontro Nacional de Gestores (as) Indígenas

17/05/2025.

A presença de indígenas em espaços de decisão é essencial na elaboração e implementação de políticas públicas voltadas para essa população. Foi o que reforçou a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) durante o 1º Encontro Nacional de Gestores (as) Indígenas, realizado em Brasília, nos dias 15 e 16 de maio. O encontro contou com a participação de pelo menos 61 gestores e gestoras indígenas que atuam nas esferas estaduais e municipais de diversas partes do Brasil.

Entre os objetivos do evento, promovido pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), estão o fortalecimento das estruturas institucionais dedicadas aos povos indígenas para ampliar o diálogo direto com órgãos do Governo Federal e as possibilidades de articulação e cooperação entre diferentes regiões do país.

O coordenador-geral de Gestão Ambiental, Francisco Itamar Gonçalves, foi um dos representantes da Funai no encontro. Ele destacou a importância do protagonismo dos povos indígenas na formulação e execução de políticas públicas, especialmente àquelas que os afetam diretamente. O coordenador usou como exemplo a atual composição da Funai.

“Dos 39 coordenadores regionais da Funai, 36 são indígenas. Isso também é uma forma de colocarmos gestores estratégicos em áreas estratégicas para uma gestão mais eficiente e revitalizar todo aquele processo cultural perdido dentro dos territórios indígenas”, ressaltou Francisco Itamar em participação na mesa do painel “Aldear o Estado: o papel dos gestores(as) indígenas no fortalecimento institucional”. Ele esteve acompanhado do coordenador-geral de Promoção ao Etnodesenvolvimento, Jefferson Fernandes do Nascimento, que também representou a Funai no evento.

A presença indígena na gestão da Funai não se restringe às Coordenações Regionais (CRs). A autarquia é presidida por Joenia Wapichana, do povo Wapichana, e conta com indígenas ocupando diferentes funções na estrutura administrativa na sede da instituição, em Brasília. É o caso das diretoras de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, Lucia Alberta, do povo Baré, e de Administração e Gestão, Mislene Metchacuna, do povo Ticuna. O Museu do Índio, órgão científico-cultural da Funai, com sede no Rio de Janeiro, também é gerido por uma indígena, a diretora Fernanda Kaingang, do povo Kaingang.

Disponível em: https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2025/funai-defende-presenca-indigena-nos-espacos-de-poder-em-participacao-no-1o-encontro-nacional-de-gestores-as-indigenas (acesso em 28 de Abril de 2026).

A Constituição Federal de 1988 representou um marco jurídico ao reconhecer, nos artigos 231 e 232, os direitos originários dos povos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam. No entanto, a história recente demonstra que a letra da lei, por si só, não garantiu a segurança e a demarcação desses territórios. Foi necessário que o movimento indígena se organizasse para sair de uma condição de “tutelado” pelo Estado para se tornar um sujeito político ativo.

Hoje, “Aldear o Estado”, termo utilizado por lideranças contemporâneas, significa ocupar cargos, universidades e espaços de decisão para garantir que as políticas públicas sejam executadas por quem vive a realidade dos territórios. Importante ressaltar que a profissionalização e o ingresso em espaços urbanos ou institucionais não anulam a identidade indígena; ao contrário, tornam-se ferramentas de resistência e preservação da ancestralidade. A partir da leitura dos textos de apoio e das discussões presentes no livro da disciplina, desenvolva uma análise dissertativa (com no mínimo 15 e no máximo 30 linhas), contemplando os seguintes eixos:

  1. a) Discorra sobre como a conquista dos direitos territoriais e culturais não foi uma concessão espontânea do Estado, mas fruto de mobilizações históricas. Como os textos de apoio demonstram que essa luta continua ativa na atualidade?
  2. b) Explique por que a autogestão de recursos é fundamental para a preservação dos modos de vida e para o enfrentamento de crises globais, como as mudanças climáticas.
  3. c) Reflita sobre a afirmação de que ocupar espaços de poder e se profissionalizar não torna o indivíduo “menos indígena”. Como a presença de gestores indígenas em cargos estratégicos contribui para a revitalização de processos culturais que foram historicamente silenciados?

 

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