QUESTÃO 20
O post a seguir foi retirado da rede social de ALOK, artista cujos
trabalhos abordam questões de gênero e identidade.
(Adaptado de www.instagram.com/p/C51W1v8vXo9/. Acesso em 22/04/2024.)
No post, a argumentação é articulada a partir dos diferentes
sentidos das palavras
a) “gramática” e “pronomes”, pois o ensino, nas escolas, desses temas invisibiliza pessoas não binárias as quais supostamente violam regras gramaticais.
b) “sujeito” e “objeto”, pois esses termos só são usados para
pessoas não binárias quando elas se sujeitam e aceitam o
controle por aqueles que têm poder.
c) “sujeito” e “predicado”, pois as relações de poder hierárquicas impedem que pessoas não binárias se expressem e
assumam o controle de suas palavras.
d) “objeto” e “pronomes”, pois embora as pessoas não binárias escolham seus pronomes, elas ainda são objetificadas
devido às suas aparências físicas.
Objetivo da Questão
Os objetivos da Q20 eram multifacetados: em primeiro lugar,
a banca recorreu a um texto escrito em primeira pessoa com a
finalidade de explorar as argumentações ali mobilizadas. Nesse
sentido, o discurso potente e marcadamente posicionado, presente na publicação, permite que a banca avalie não apenas
se o candidato consegue localizar informações (específicas e/
ou tangenciais), mas, mais importante, se é capaz de analisar
as associações e metáforas que permeiam o texto e que são a
base da argumentação.
Assim, para identificar a alternativa correta, fazia-se necessário
compreender quais palavras, no texto, assumiam sentidos múltiplos. Isso era importante, pois os sentidos dos termos (“gramática”, “sujeito”, “objeto”) discutidos no texto extrapolam a
literalidade para revelar/desvelar visões de mundo, interesses e
relações de poder muito complexas. Por fim, a banca também
buscou colocar em debate uma temática ainda pouco presente
My first word was irony. Growing up a boy, they called me
too feminine. When I finally claimed femininity as my
own, they called me a man. These are grammar lessons:
some of us are only allowed to be thought, never to think.
When they insist that our pronouns violate grammar to
some degree, they are right. Grammar is less about the
mechanics of language, more the monopoly of it. It´s not
just about who can speak, but who gets to speak. He who
controls the word controls the world. What they mean is:
don´t object to remaining object. You are not a subject
(unless you subject yourself to me). Subject. Predicate.
Power. What this means is that we could both launch the
same words and they would still land in different places. I
could spend the rest of my life articulating every detail,
every grain, every follicle. And still they would not
understand. Because of what I look like. No: because of
what they feel about what I look like. This is what it feels
like to be brown, trans, femme, and alive.
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em exames dessa amplitude: as representações da não binariedade na linguagem.
Isso nos leva, portanto, aos pontos do programa contemplados
nessa questão:
• localizar e interpretar argumentos e contra-argumentos inseridos em textos;
• analisar interesses, relações de poder e perspectivas de mundo nos discursos de diversas práticas de linguagem para
compreender o modo circulam, constituem-se e (re)produzem significação e ideologias.
Alternativa Correta: B
Todas as alternativas eram compostas por dois conceitos abordados no texto. Todas tinham, ainda, uma justificativa que explicava os motivos pelos quais a argumentação, no post, era
articulada com base nas duas referidas palavras. Torna-se claro, portanto, que o enunciado, mais uma vez, era fundamental para a identificação da alternativa correta, já que todas elas
completam o raciocínio iniciado no comando da questão. A
opção a é incorreta, pois o texto não trata do ensino, nas escolas, de temas como “gramática” e “pronomes”, tampouco os
impactos desses conceitos para pessoas não binárias. O termo
“predicado”, presente na alternativa c, não assume duplo ou
múltiplos sentidos no texto; portanto, não há como associá-
-lo à argumentação no post. Além disso, o post sugere que o
monopólio da linguagem não está relacionado à capacidade de
poder falar (“it’s not just about who can speak…”), mas sim às
pessoas que têm espaço para fazer ecoar suas vozes (“(…) but
who gets to speak.”). Na alternativa d, há dois equívocos: em
primeiro lugar, não há múltiplos sentidos em “pronomes” no
texto; além disso, segundo o post, as pessoas não-binárias são
incompreendidas (“I could spend the rest of my life articulating
every detail (…) And they still would not understand.”) não devido às suas aparências, mas com base naquilo que as pessoas
sentem em relação às suas aparências (“Because of what I look
like. No: because of what they feel about what I look like”).
Resta, portanto, a opção b, que é a correta, pois remete a dois
termos discutidos no texto para além de sua literalidade (“You
are not a subject (unless you subject yourself to me)”; “What
they mean is: don’t object to remaining object.”).
Desempenho dos candidatos
O gráfico de desempenho dos candidatos ilustra que houve
uma distribuição equilibrada entre as respostas. Com um índice
de 21,4% de acertos, a proposta foi “difícil”, confirmando a
expectativa do revisor de inglês. A banca elaboradora, por sua
vez, esperava que a questão fosse de dificuldade “média”; por
isso, o fato de a resposta correta ter sido a opção menos escolhida pelos candidatos foi surpreendente. Ainda assim, como a
questão envolvia a análise de argumentos a partir de um texto
com muitas associações abstratas, com alusão a termos cujos
sentidos não estavam postos de maneira cristalina, o nível de
dificuldade verificado nas estatísticas é pertinente. Comentários Gerais
Segundo as estatísticas da Comvest, o índice de discriminação
foi “marginal” (0,276). Isso pode ser atribuído à quantidade de
elementos abstratos presentes nas alternativas, que podem ter
sido confusas inclusive para candidatos com boa competência
leitora em língua inglesa. Seria importante, portanto, nos próximos anos, que, mesmo em questões difíceis, as alternativas
tivessem menos elementos (ao invés de “sujeito” e “objeto”,
por exemplo, a banca poderia ter optado por focalizar somente
um dos conceitos), de modo que os candidatos possam usar seu
tempo para analisar, com mais atenção e qualidade, as nuances
da questão e as opções de resposta que a compõem.
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